Da liberdade de escolher e decidir

Aos que conhecem algumas histórias bíblicas, talvez já tenham ouvido frases como: “Eis-me aqui. Envia-me!” Isaías ou “Estou aqui” Samuel ou ainda “Eis-me aqui Senhor!” Ananias. Há tantos outros exemplos de homens que se colocaram a disposição de DEUS para fazer a sua obra.

São homens que encontraram o sentido de suas vidas ao estarem dispostos a fazer aquilo que sua fé lhes inclinava. Um livro bíblico, chamado Hebreus, em seu capítulo 11 traz a seguinte definição de fé: “o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não veem”. Este mesmo capítulo traz vários relatos de homens que foram guiados pela fé e alcançaram vitórias.

Há muito sofrimento nas histórias contadas em Hebreus, mas há escolhas e consequências. Homens que utilizaram da certeza de sua vontade para tomar decisões em sua vida — neste caso decisões baseadas na sua fé — e que arcaram com a responsabilidade de suas escolhas. Homens que encontraram sentido e consequentemente felicidade e realização.

A reflexão acima chegou após assistir a aula de Visão Antropológica e de Mundo, ministrada por Juan Karlo Medeiros no Curso de Formação Clínica da Casa do Sentido.

A antropologia presente na obra de Viktor Frankl está no pilar da Liberdade da Vontade, onde está ali a imagem do homem. Um homem que preserva sua existência. Os exemplos da carta de Hebreus são homens que decidiram seguir em frente com base em sua fé, respondendo a três perguntas fundamentais: Eu quero? Eu posso? Eu devo? — As escolhas que eles fizeram, que foram enxergadas no campo das possibilidades, somente tiveram seus resultados alcançados pois passaram ao campo da realidade, transformando existência em essência.

Ainda segundo os estudos de Frankl, o homem tem uma vontade de sentido, uma motivação primeira, e é atraído pelo mundo (pelos valores) — aqui onde entra sua fé — e se decide perante esta atração. A consciência deste homem, que é seu órgão do sentido, que aponta para a direção de um dever, um valor a realizar, é que o movimenta a decidir seguir em frente.

Tomemos um exemplo como base o versículo 8 do capítulo 11 da carta aos Hebreus: “Pela fé Abraão, sendo chamado, obedeceu, indo para um lugar que havia de receber por herança; e saiu, sem saber para onde ia” — Abraão movido por uma vontade de sentido, é atraído pelos seus valores (que estão na dimensão noética) e usa da sua liberdade de vontade para escolher e decidir. Diante da situação que ele tinha, ele escolheu sua atitude — pela fé, ele obedeceu.

Importante destacar que ninguém poderia tomar decisões por Abraão e muito menos responder pela responsabilidade dos atos que ele mesmo teve, que geraram consequências.

Assim, termino minha reflexão, enfatizando que não há como transferir sentimentos, nem escolhas, nem a responsabilidade por nossas escolhas. Dado que isso é individual, único, intransferível. O outro não pode escolher por mim. O outro não pode assumir a culpa pelos meus atos. O outro não pode sofrer em meu lugar.

Psicoterapeuta, Logoterapeuta, Apaixonada por indivíduos, Humana, Sorridente, Tornando cada dia melhor

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